A nossa história:
do passado para o futuro!
A Mutualidade da Moita nasceu de um espírito de solidariedade e cooperação que marcou a sua formação.
O objetivo inicial era simples, mas poderoso: oferecer apoio mútuo aos seus membros em momentos de necessidade, promovendo a segurança e o bem-estar da comunidade local.
Ao longo dos anos, a Mutualidade da Moita evoluiu significativamente, adaptando-se às mudanças sociais e económicas da região.
Hoje, a Mutualidade da Moita orgulha-se de ser uma entidade robusta e resiliente, que olha para o futuro com otimismo. Com uma visão clara e estratégica, continua a inovar e a encontrar novas formas de servir os seus associados, garantindo que a ajuda mútua, a essência da sua criação, permaneça relevante e eficaz.
Ao combinar a sabedoria do passado com as oportunidades do futuro, a Mutualidade da Moita reafirma o seu compromisso com a comunidade, assegurando que os valores de solidariedade e cooperação, que a fundaram, perdurem por muitas gerações.
O início: "Idéa nova"
“Corria o ano de 1895. Densas trevas envolviam ainda esta terra de cavadores e marítimos, quando ao longe começaram a aparecer os primeiros ‘arreboes’ da ‘Idéa’ Nova, encarnada no verbo ardente e fervoroso de José Luiz Simões que chamava à vida associativa este povo que durante anos viveu manietado ao mais negro obscurantismo.” (in: Boletim comemorativo do 27º aniversário)
José Luiz Simões, a par com outros dois dedicados e altruístas filhos desta terra, Estanislau Domingues e Manuel António Alegria, foram os principais impulsionadores e fundadores desta Mutualidade a que todos chamavam de “o nosso MONTEPIO”. E, em Assembleia Geral Constituinte realizada a 25 de abril de 1895, foram eleitos os primeiros Corpos Gerentes desta Instituição:
ASSEMBLEIA GERAL
Presidente: Estanislau Domingues
1º Secretário: Francisco Cândido Parreira
2º Secretário: João Luís Santos
DIRECÇÃO
Presidente: António Vieira da Silva
Tesoureiro: António Luiz Simões
Secretário: José Luiz Simões
1º Vogal: José Luiz Durão
2º Vogal: Manuel António Alegria
CONSELHO FISCAL
Presidente: José Simões Domingues
1º Secretário: Manuel de Sousa
2º Secretário: José dos Santos MartaJ
1º Vogal: Domingos Vieira Beja
2º Vogal: Júlio da Costa
José Luís Simões
Estanislau Domingues
Missão e concretização
A data oficial da fundação da “Associação de Socorros Mútuos União Moitense” foi o dia 1 de maio de 1895.
Trabalharam os corpos sociais desta Mutualidade na elaboração dos primeiros Estatutos, que foram aprovados por Alvará do Rei D. Carlos I em 13 de maio de 1896.
Inicialmente, os associados usufruíam dos seguintes benefícios: consultas do médico da Associação, no consultório ou em casa; custo dos medicamentos prescritos pelo médico da Associação suportado pela mesma; subsídio pecuniário em caso de doença ou por impossibilidade temporária em trabalhar; subsídio de prisão, até ao dia do julgamento; subsídios para ares do campo e banhos termais; subsídios para as associadas em caso de parto; subsídio de funeral e de luto.
No dia 11 de janeiro de 1913, em instalações situadas na Praça de República, foi aberta a farmácia desta Instituição.
Terá sido entre 1922 e 1926, em terreno adquirido poucos anos antes, que foi construído o seu edifício Sede, na então recente avenida Dr. Teófilo Braga. Tal foi possível com a ajuda económica de associados e de outras entidades. O piso térreo deste imóvel foi destinado às novas instalações da farmácia, local onde ainda funciona.
Exemplares dos vários estatutos da Mutualidade da Moita
Em plena II Guerra Mundial, em 26 de setembro de 1944, a Associação de Socorros Mútuos União Moitense foi homenageada com a medalha de ouro de 1ª classe de Abnegação e Serviços Distintos pelo Corpo de Salvação Pública do Concelho da Moita, em reconhecimento pelos serviços prestados a toda a população da vila.
Em 1945, por altura da celebração do 50º aniversário da Associação, em ata do Conselho Fiscal datada de 28 de abril, encontramos o seguinte texto:
“(…) Também os três sócios aqui presentes que compõem este conselho fiscal, manifestam a sua satisfação pela organização do programa das festas, apresentado pela Direção, a fim de se comemorarem os Cinquenta Anos de existência desta associação, desde a sua fundação, um de maio do corrente ano, de mil novecentos e quarenta e cinco. Achando-as bem merecidas pelo nobre passado desta coletividade e por servirem ao mesmo tempo de exaltação mutualista. São estas por nós consideradas modestas e económicas, mas na presente ocasião em que a guerra mundial atingiu na Europa o auge de ferocidade não permite que se façam maiores despesas. Os recursos existentes podem ainda ser necessários e poucos para auxílio ao bem da humanidade. Ao lembrarmos dos nossos filhos, netos e sócios vindouros existentes à data das comemorações do próximo Centenário que se deve verificar no ano de mil novecentos e noventa e cinco fazemos os seguintes votos. Primeiro: que nessa data reine paz em todo o Mundo para que essas festas possam ser mais brilhantes, mais alegres e expansivas. Segundo: que estas coletividades seguindo sempre o ritmo do progresso tenham atingido maior expansão na nobre missão que os seus humildes fundadores idealizaram e sonharam, e como nós continuadores, desejávamos já nesta época verificar. Terceiro: que essa futura paz e esse progresso tenham incutido melhor compreensão entre os homens, para que se note um maior auxílio mútuo entre toda a humanidade, pela reintegração de todos no mutualismo. (…)”
No final de 1958, foi realizada uma homenagem póstuma ao Dr. Alexandre Sequeira, no Salão Nobre da Associação, onde estiveram presentes muitos cidadãos do concelho, além dos associados desta instituição.
Homenagem ao dr. Alexandre Sequeira
História recente
Como acontece em todas as Associações, esta viveu internamente alguns momentos de crispação entre associados e membros dos órgãos associativos e momentos de incerteza sobre a sua sobrevivência financeira. No entanto, soube sempre ultrapassá-los e seguir em frente, com a ajuda dos seus associados, dirigentes ou não.
Em 10 de abril de 1989 abriu, em instalações que adquiriu com os seus próprios fundos e sem ajuda de qualquer espécie, o seu modesto Centro Clínico, a que chamou de Policlínica, que, num contexto mais moderno de Mutualismo e de Solidariedade, atende qualquer pessoa, associado ou não. Com o patrocínio de uma outra Associação Mutualista, o Montepio Geral, em 1998 dotou os seus serviços com o mais moderno equipamento de Medicina Dentária.
Em 1990, à luz do Código das Associações Mutualistas, alterou a sua denominação para “A Mutualidade da Moita – Associação Mutualista”, adotando, também, um novo logótipo em que o impacto visual fosse de modernidade e juventude.
Em setembro de 2001, adquiriu um edifício na Rua Dr. Miguel Bombarda, na Moita, que recuperou totalmente com os seus próprios meios económicos, e onde se encontram instalados os serviços administrativos. Na altura, estavam projetados para o mesmo edifício serviços de carácter social, que, por diversas razões, não se concretizaram.
Durante a mais recente crise económica, foram muitas as associações mutualistas que não resistiram e desapareceram. Apesar disso, a Mutualidade da Moita, graças ao suporte da farmácia, e ao trabalho incansável dos seus dirigentes e colaboradores, conseguiu ultrapassar essa tormenta, tornando-se mais forte.
Em 2025, voltou a renovar a sua imagem, com nova modernização dos logótipos das suas três vertentes: associação, farmácia e clínica.
A policlínica, criada em 1989
A farmácia, nos anos 90
A celebração do centenário da associação, em 1995
Os Homens
Para além dos seus fundadores, o mutualismo na Moita contou com diversos nomes de moitenses que, com a sua disponibilidade e generosidade, fizeram desta Associação um exemplo de entreajuda. Muitos deles foram dirigentes, membros dos seus órgãos associativos. Outros foram seus funcionários, alguns, cumulativamente dirigentes.
Teve ao serviço dos seus associados, dois Homens de elevado valor moral e de solidariedade, que aqui homenageamos. Ambos fazem parte da toponímia da Moita.
Dr. Joaquim Marques Elias
Nascido em 1923, em Lavadas, concelho de Porto de Mós, exerceu clínica médica nesta Associação a partir de 1954.
Era incansável no apoio aos doentes da vila, chegando a deslocar-se a casa de quem dele necessitava durante a madrugada. Muitas vezes, no dia a seguir à sua visita médica, e apesar do imenso trabalho que tinha, deslocava-se de novo a casa do doente apenas para saber da sua recuperação.
Dr. Alexandre Sequeira
Não sendo da Moita, adotou esta vila como a sua terra, para onde veio no início do século XX, e exerceu clínica nesta Associação. Conhecido como "o médico dos pobres", quem com ele privou contava que cobrava apenas a quem podia pagar e muitas vezes deixava dinheiro para medicamentos. Foi uma figura carismá-tica, lembrada por acudir a todos, principal-mente aos mais necessitados, independente-mente da distância que tinha de percorrer.
No final da sua vida, doente e quase na miséria, foi ajudado por associados da Associação a que servira, tal como ele tinha feito a tantos que necessitavam. Doou a esta instituição o material médico que possuía e que se encontra exposto no salão nobre.
Dr. Joaquim Marques Elias
Dr. Alexandre Sequeira
Do passado ao presente
Associação do povo e pelo povo, foi desde a sua fundação o único amparo de muitos e muitos que, se ela não existisse, teriam morrido à míngua de socorros numa época em que, em Portugal, não se falava, ainda, de Segurança Social. E, apesar das vicissitudes por que passou (a criação da Segurança Social em Portugal; a proibição, durante quase 50 anos por parte do Estado Novo, em atualizar as quotizações), tem resistido, podendo hoje orgulhar-se do “Bom Nome” alcançado, tanto a nível nacional como até mesmo a nível internacional, ombreando com outras bem prestigiadas Associações Mutualistas.
Atualmente, e com as dificuldades sentidas com o funcionamento do Serviço Nacional de Saúde, vem captando novos associados, nomeadamente em freguesias do Concelho da Moita habitualmente ausentes desta Associação, como, por exemplo, Alhos Vedros, Baixa da Banheira e Vale da Amoreira.
Nos tempos modernos, tem-se pautado, sempre, pela isenção, sem permitir distinção de sexo, nacionalidade, raça, religião, convicções políticas ou ideológicas, enaltecendo a dignidade e solidariedade humanas.
O edifício atual dos serviços administrativos
A nossa clínica, junto à praça de touros
A nossa farmácia, no mesmo local há mais de 100 anos
Linha do tempo
1895
1 DE MAIO
Fundação da Associação de Socorros Mútuos União Moitense
1896
13 DE MAIO
Aprovação dos primeiros Estatutos
1901
Primeira reforma dos Estatutos
1913
1 DE NOVEMBRO
Abertura da Farmácia União Moitense Na Praça da República
1922-26
Construção do edifício sede na Av. Dr. Teófilo Braga
1933
JANEIRO
Grupo de dirigentes da Associação S.M. União Moitense empreendem esforços para a fundação do Corpo de Bombeiros da Moita
1944
26 DE SETEMBRO
A Associação recebeu a medalha de ouro de 1ª classe de Abnegação e Serviços Distintos, pelos serviços prestados a toda a população da vila
1957
22 de JULHO
Assembleia Geral Extraordinária aprova a unificação das duas classes de associados, sexo masculino e feminino, com os mesmos direitos e deveres
1989
Abertura da Clínica Médica, na altura denominada Policlínica
1990
Alteração da denominação para A Mutualidade da Moita – Associação Mutualista e mudança de logotipo
1994
Mutualidade da Moita foi designada como secretária-geral da Direção da União das Mutualidades da Moita, representada por Mariana Reto (reeleita em 1996)
1998
Início das consultas de Medicina Dentária, na clínica da associação
1999
Participação na Expo Solidariedade na AERSET, Azeitão, onde estiveram presentes várias individualidades ligadas ao Mutualismo e apoios sociais
2001
Aquisição do edifício para os Serviços Administrativos
2025
Modernização dos logótipos das suas três vertentes: associação, farmácia e clínica